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25 ago |
Sacolas plásticas são problemão, diz Sérgio Abranches |
CBN – A rádio que toca notícia – Sérgio Abranches.
Ouça o comentário de Sérgio Abranches desta manhã, na CBN. Para o comentarista, “Sacolinha de plástico não é probleminha, é problemão e lixo plástico é sério problema global“.
Se alguém precisava de uma segunda (e embasada) opinião…
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24 ago |
Saquinho de jornal |
A grande questão quando falamos em recusar sacolas plásticas é “mas o que vou fazer com o meu lixo??”. Esta semana, recebemos um email com uma sugestão bem interessante, que pode servir como alternativa barata e bem menos agressiva ao meio ambiente: o saquinho de lixo de jornal!
A técnica do origami permite produzir um invólucro resistente – usando mais de uma folha, se garante que o líquido produzido pelo lixo úmido não escorra – e biodegradável.
Seguem as instruções:
Você pode usar uma, duas ou até três folhas de jornal juntas, para que o saquinho fique mais resistente. Tudo no origami começa com um quadrado, então faça uma dobra para marcar, no sentido vertical, a metade da página da direita e dobre a beirada dessa página para dentro até a marca. Você terá dobrado uma aba equivalente a um quarto da página da direita, e assim terá um quadrado.
Dobre a ponta inferior direita sobre a ponta superior esquerda, formando um triângulo, e mantenha sua base para baixo.
Dobre a ponta inferior direita do triângulo até a lateral esquerda.
Vire a dobradura “de barriga para baixo”, escondendo a aba que você acabou de dobrar.
Novamente dobre a ponta da direita até a lateral esquerda, e você terá a seguinte figura:
Para fazer a boca do saquinho, pegue uma parte da ponta de cima do jornal e enfie para dentro da aba que você dobrou por último, fazendo-a desaparecer lá dentro.
Sobrará a ponta de cima que deve ser enfiada dentro da aba do outro lado, então vire a dobradura para o outro lado e repita a operação.
Se tudo deu certo, essa é a cara final da dobradura:
Abrindo a parte de cima, eis o saquinho!
É só encaixar dentro do seu cestinho e parar pra sempre de jogar mais plástico no lixo!
Que tal?
Pode parecer complicado vendo as fotos e lendo as instruções, mas faça uma vez seguindo o passo a passo e você vai ver que depois de fazer um ou dois você pega o jeito e a coisa fica muito muito simples. Daí é só deixar vários preparados depois de ler o jornal de domingo!
E aí, o que acharam? Contem pra gente a experiência!
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03 ago |
Sancionada a Política Nacional de Resíduos Sólidos |
Este 2 de agosto de 2010 tornou-se um dia histórico para a sociedade brasileira: a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi sancionada pelo Presidente da República, após 20 anos de tramitação no Congresso Nacional.
A PNRS é o novo marco na gestão de resíduos sólidos no Brasil, estabelecendo obrigatoriedades fundamentais para que deixemos de ser um país onde prevalecem os lixões, o desperdício e a falta de dignidade aos cidadãos que trabalham com os materiais recicláveis. A Política determina a proibição da abertura de novos lixões e a obrigação dos municípios em estruturar a coleta seletiva, com participação das cooperativas de catadores para viabilizar a separação e correta destinação dos recicláveis.
A lei faz a distinção entre rejeito (o que não é passível de reaproveitamento) e resíduo (lixo que pode ser reaproveitado ou reciclado), se referindo a todo tipo de resíduo: doméstico, industrial, da construção civil, eletroeletrônico, lâmpadas de vapores mercuriais, agrosilvopastoril, da área de saúde, perigosos, etc.
Os objetivos da PNRS são a não-geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos, bem como destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos. Redução do uso dos recursos naturais (água e energia, por exemplo) no processo de produção de novos produtos, intensificar ações de educação ambiental, aumentar a reciclagem no país, promover a inclusão social, a geração de emprego e renda de catadores de materiais recicláveis. É uma lei ousada, mas que vai mudar muita coisa, inclusive a forma como olhamos para o lixo que geramos.
A Política institui o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, abrangendo fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, mas também os consumidores. Sim! Agora todos nós somos responsáveis por separar corretamente os recicláveis, encaminhar embalagens e produtos especificados na lei para que a logística reversa funcione, e por reduzir nossa geração de resíduos e rejeitos.
Este novo panorama, em que somos todos responsáveis, onde a coleta seletiva passará a ser a regra, onde haverá a revalorização dos resíduos e sua reinserção no ciclo produtivo, também mudará a forma como olhamos para as sacolas e sacos plásticos. Como?? No momento em que passarmos a (1) diminuir o volume de lixo que geramos, (2) separar os recicláveis e (3) encaminhá-los corretamente para a reciclagem, reduziremos significativamente a necessidade de embalar nossos resíduos em sacos plásticos – na verdade, poderemos chegar ao ponto de embalarmos apenas os nossos rejeitos, encaminhando corretamente os resíduos. Em um futuro próximo, quem sabe, poderemos acondicionar os rejeitos orgânicos em sacos compostáveis, permitindo que tudo seja revalorizado através da compostagem.
O Presidente orientou para que a Política Nacional de Resíduos Sólidos seja regulamentada com urgência, para que ainda este ano comecemos a ver seus reflexos em nosso dia a dia.
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26 jul |
70% do lixo encontrado nos oceanos é PLÁSTICO |
Ontem, 25/07, o Fantástico exibiu matéria acerca do enorme acúmulo de lixo nos oceanos, trazendo um dado alarmante: cerca de 70% do lixo encontrado é composto por objetos plásticos.
A sopa de lixo no Pacífico foi identificada há alguns anos, dando uma ideia mais realista sobre o impacto ambiental que o lixo que produzimos causa aos oceanos. A mancha de lixo flutuante tem o tamanho de dois Estados Unidos e dez metros de profundidade. O lixo reunido pelas correntes marinhas naquela extensão entre a América do Norte e o Japão vem de embarcações e plataformas petrolíferas, mas, principalmente, dos continentes.
O arquipélago do Havaí sofre com o lixo despejado nos mares, recebendo em suas praias toneladas desta poluição. O veleiro Plastiki, feito com 12,5 mil garrafas plásticas, saiu dos EUA em direção à Austrália para chamar a atenção para este problema. Ao passar pelo Havaí, encontrou aquela que pode ser a praia mais suja do mundo, no Atol de Midway.
Midway recebe, todos os anos, 1,5 milhão de albatrozes. Durante sete meses, os filhotes ficam na ilha a espera de alimento trazido pelos pais. No entanto, o que mais chega aos estômagos destes animais são objetos – inacreditáveis! – de plástico, causando a morte de milhares de aves. A mergulhadora Morgan Hoesterey realizou um experimento simples: durante uma hora, recolheu apenas objetos plásticos reconhecíveis encontrados dentro das carcaças de albatrozes que encontrou pela praia. O resultado é inimaginável: dezenas de isqueiros, bolas de golfe, anzóis, brinquedos, tampas de garrafa, centenas de escovas de dentes e até cartuchos de impressora! E ela recolheu apenas objetos reconhecíveis – as sacolas plásticas, que certamente também faziam parte da dieta destas aves, não foram recolhidas…
Com certeza não queremos ser os responsáveis por cenas tristes como estas. Para mudar esse cenário, só o consumo sustentável e a reciclagem podem ajudar. Consumir de maneira sustentável é comprar apenas aquilo que necessitamos, dar preferência a produtos duráveis, produzidos a partir de material reciclado ou com alta reciclabilidade, é se preocupar com a forma como aquele item foi produzido e se a empresa é responsável com o meio ambiente e seus trabalhadores. Depois de atingir o final de sua vida útil, é fundamental encaminhar o produto para reciclagem, de modo a manter a matéria-prima utilizada no ciclo produtivo, evitando que tenha de ser descartada em um aterro ou – pior dos mundos – acabe no oceano e no estômago de animais.
É preciso mudar nossos hábitos de consumo, urgentemente! Faça sua parte. Dê o exemplo.
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08 jul |
Senado aprova a Política Nacional de Resíduos Sólidos! |
Depois de 21 anos de tramitação no Congresso Nacional, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi aprovada pelo Senado na noite desta quarta-feira (7). No mesmo dia, à tarde, a PNRS havia sido debatida e aprovada nas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), de Assuntos Sociais (CAS), de Assuntos Econômicos (CAE), de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) da Casa.
Nas comissões, a votação foi tranquila, com apreciação de relatórios praticamente iguais dos senadores César Borges (PR-BA) e Cícero Lucena (PSDB-PB). A única diferença foi a retirada do inciso 3, artigo 54, que enquadrava como crime ambiental o descarte de lixo em locais inadequados, o que poderia penalizar o cidadão comum com quatro anos de prisão.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, comemorou o resultado. “Com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Brasil passa a ter um conjunto de instrumentos inovadores para a solução dos problemas do lixo no País”. Ela enfatizou a definição a respeito da gestão compartilhada nas responsabilidades da sociedade, empresas, prefeituras e governos estaduais e federal na gestão dos resíduos.
O substitutivo ao projeto de lei (PLS 354/89) que institui a Política foi aprovado no início da tarde de hoje (7/7) e seguiu para o plenário do Senado em caráter de emergência. O secretário nacional de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, do MMA, Silvano Silvério, que coordenou o processo de debate entre Executivo e o Congresso, disse que o encaminhamento da matéria ao Legislativo, em setembro de 2007, acelerou a tramitação dessa política que já durava mais de duas décadas. “Essa iniciativa nunca havia sido tomada pelo Executivo”.
Ele ainda comentou que Câmara e Senado contribuiram para melhorar ainda mais o projeto e colocar o Brasil em posição compatível com a União Européia em relação à legislação que se refere aos resíduos sólidos.
“É um dia histórico. Essa é uma luta de quase 21 anos. A matéria é complexa e vem sendo discutida por todo esse tempo por diferentes setores da sociedade. A aprovação é extremamente importante para o meio ambiente e para a saúde em todo o País”, afirmou o relator César Borges.
O senador Cícero Lucena destacou que a aprovação é também um estímulo para a geração de renda, pois prevê incentivos a cooperativas e outros tipos de organizações de trabalhadores envolvidos com os processos de resíduos, como os catadores.
Cristina Ávila – ASCOM/MMA
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26 abr |
Sacolas plásticas na Grande Família! |
No epsódio do dia 8 de abril – “Xô, perereca!”, a Grande Família discutiu a questão do consumo exagerado de sacolas plásticas! Você assistiu??
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23 fev |
Saco é um Saco – Made in China |
Estive na China no mês passado e tive a oportunidade de observar o boom do crescimento econômico desse país, no entanto essa transformação é chocante, pois se trata de 1,3 bilhão de pessoas, ou seja, 20% da humanidade. A rapidez com que essas pessoas mudam estilos de vida e aumentam o consumo é assustador. Se os chineses estiverem no rumo de realizar o sonho americano do consumo, que foi a percepção que eu tive, realmente é muito preocupante.
Mais consumo significa mais lixo e o resultado final é claro, prejuízo e danos ambientais. Segundo o World Watch Institute, estima-se que a China produz a cada ano 150 milhões de toneladas de lixo, o equivalente a 15% do total mundial. A previsão do Governo de Pequim é que o volume do lixo urbano chegue a 400 milhões de toneladas em 2020, o equivalente a tudo que foi produzido em 1997.
A maior parte do lixo na China não é reciclada e termina em aterros sanitários ou em lixões espalhados pelo País. Cerca de 7 bilhões de toneladas de lixo se acumulam sem receber tratamento adequado. Segundo estatísticas oficiais, 70% do lixo está em aterros sanitários, enquanto 20% são queimados e usados como adubo, e apenas 10% são reciclados.
O lixo produzido nas atividades cotidianas dos chineses é enorme. Só em sacolas plásticas são 3 bilhões por dia, a maioria das quais descartadas de maneira inadequada provoca severos impactos ambientais. O uso de sacolas de plástico começou a ser coibido em julho de 2008, quando entrou em vigor a lei que obriga todos os estabelecimentos comerciais a cobrarem pelo produto, para estimular o uso de sacolas de pano, reutilizáveis. Antes de a medida começar a valer, vários supermercados de Pequim começaram campanhas de conscientização de seus clientes que incluíam a venda ou a doação de novas sacolas.
Em alguns supermercados e centros de compras, notei que apesar da proibição, a lei não é tão espartana assim, estes acabam fornecendo uma ou outra sacolinha. No entanto, a lei funciona razoavelmente bem, pois boa parte da população leva suas sacolinhas de pano para as compras. Nos supermercados, as poucas sacolas distribuídas suportam até 8 kg, e mais, a empacotadora aproveita a capacidade total da sacolinha. Já em outros lugares turísticos, como a principal loja de souvenir da cidade proibida, a cobrança pelas sacolas, alguns cents de yuans, e todo mundo paga sem reclamar. Sei que o valor é irrisório, mas considero muito importante, principalmente por ser um ponto turístico, a redução do uso desse material deve ser global.
Em Pequim, também não existe a discussão da alternativa de sacolas oxi-biodegradável ou de sacolas biodegradáveis. Foi proibido e pronto! Não existe alternativa ou acaba o consumo de saco plástico ou acelera a bomba relógio do descarte de lixo na China.
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11 jan |
Reportagem do Fantástico sobre o impacto do plástico nos oceanos |
Ontem, o Fantástico exibiu uma reportagem de André Junqueira sobre o absurdo impacto do lixo humano e, em especial, do lixo plástico, nos oceanos. Recebemos hoje um relato emocionado de uma mãe que viu a filhinha de 8 anos chorar ao ver a matéria.
Cenas fortes de animais mortos e deformados por causa do lixo plástico mostraram o tamanho do problema do consumo excessivo e do descarte incorreto praticado em nossa sociedade atual. O lixo viaja milhares de quilômetros pelas correntes marinhas e vai afetar focas e leões marinhos em pontos distantes, matando tartarugas, golfinhos e aves ao longo do caminho.
A reportagem abre com a chocante história do golfinho que morreu porque ingeriu sacos plásticos que o impediram de se alimentar. Ficamos sabendo também que, em cada dez tartarugas mortas, quatro morreram porque ingeriram plástico. Segundo o Projeto TAMAR, o plástico não é digerido pelas tartaruguinhas, que passam a ter dificuldade para mergulhar e morrem de inanição.
Outra imagem impressionante é do leito dos oceanos, cobertos de garrafas PET, latas e pedaços de sacolas plásticas. Triste de ver. O lixo que chega aos oceanos não tem origem apenas nas cidades costeiras. Ele chega também através dos rios que recebem dejetos e descartes e desembocam no mar.
São milhões de toneladas de lixo despejadas diariamente nos oceanos, diminuindo a biodiversidade marinha e afetando o equilíbrio natural. Nossas ações têm impactos que vão muito além daquilo que conseguimos ver. A sopa de plástico encontrada em meio ao Pacífico dá uma clara ideia disso. Como bem lembrou o pesquisador Charles Moore, que descobriu a sopa, o plástico não desaparece nunca, só quebra em vários pedacinhos.
Este trecho da entrevista com o Capitão Moore é muito interessante:
“Em um século, cem milhões de toneladas de plástico foram lançadas nos mares e pouco deve mudar. “Ninguém parece ter capacidade de ver um futuro sem plástico”, diz o capitão Moore. “Para que nos livremos da poluição do plástico. Pequenas mudanças não vão fazer a diferença”.”
Precisamos urgentemente mudar nossa forma de nos relacionar com o planeta. Felizmente, a sensibilidade de nossos filhos parece ser mais aguçada que a nossa e de nossos pais e avós neste sentido. No entanto, o futuro deles depende daquilo que fizermos hoje. É melhor começarmos!
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15 set |
Compostagem e composteiras |
Uma das formas de reduzir a necessidade de usar sacolas plásticas como sacos de lixo é reduzir a quantidade de lixo que produzimos. E uma das formas de fazer isso é a compostagem dos resíduos orgânicos. Não é tão difícil ou fedido quanto parece – aprenda a fazer uma composteira em casa e reduza seu volume de lixo!
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Desde que o mundo é mundo, a natureza vem naturalmente reciclando os seus materiais e os reaproveitando das mais diversas maneiras, afinal, como disse Lavoiser em meados de 1760: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Gaia, a Mãe–natureza, reaproveita todo e qualquer resíduo seja ele de fonte animal ou vegetal, como uma fonte de nutrientes que vão realimentando e mantendo todo o ecossistema em seu perfeito funcionamento.
E é nesse espirito que o homem resolveu sintetizar esse sistema perfeito do mundo natural, e vem fazendo sua própria reciclagem de material de fonte biológica, a compostagem.
Há mais de dois mil anos, os chineses vêm usando a compostatem para evitar a contaminação das vilas e de sua água; a maioria dos fazendeiros transformam os resíduos de suas plantações (como resto de espigas de milhos ou folhas de bananeira) em adubo orgânico, reintroduzindo esses resíduos no sistema, evitando o consumo de agrotóxicos de origem fóssil e reduzindo o volume de resíduos que produzem.
Quando tentamos fazer a transição desta velha atividade rural para o meio urbano, esbarramos em idéias do tipo: “Eu não tenho espaço” ou “minha casa vai ficar fedendo”, ou ainda “não posso perder meu tempo amassando e mexendo lixo…”. Então vejamos, na prática, como funciona uma composteira e seus processos.
A compostagem, por definição, é o processo de tratamento dos resíduos orgânicos, sendo transformados pela ação de microrganismos presentes nos próprios materiais, gerando como produto final um composto estável que é utilizado na preparação do húmus.
Para alimentar as composteiras, podemos colocar estercos de animais ; qualquer tipo de plantas, grama cortada, ervas, cascas de frutas, folhas secas, palhas ; qualquer substância de origem animal e vegetal (restos de comidas, cascas de ovo… ). Quanto mais fragmentados os materiais, maior é a eficiência da composteira, devido ao aumento da superfície de contato onde as bactérias estarão atuando. Não é bom, no entanto, incluir restos de carne, pois seu processo de decomposição provoca mau cheiro.
As composteiras ajudam a diminuir o volume de lixo que será enviado aos aterros e lixões, que sem tratamento adequado, iriam contaminar o solo e os lençóis freáticos, atingindo poços para o consumo humano e animal. Compostando seus resíduos orgânicos, você estará gerando um ótimo adubo, sendo melhor que os adubos químicos, já que não poluem e agridem o meio ambiente. Este produto final, poderá ser usado para alimentar sua jardineira, jardins, mini-hortas… Existem casos de condôminos que obtiveram descontos em suas taxas de condomínio, pois doavam o adubo produzido em suas composteiras para serem usados na manutenção de jardins.
Segue abaixo um modelo de composteira feita de PVC (lembra das caixas plásticas usadas em supermercados para o transporte das compras?) que ocupam espaços mínimos, sugerido por Alexandre de Freitas, da Fundação Gaia:
1.Forre por dentro um engradado de pvc com uma camada espessa de jornal bem úmido, mais ou menos 6 ou 8 folhas. Depois de acomodar estas folhas de jornal faça furos no fundo.
2.Preencha o fundo deste engradado com composto já pronto e com minhocas. Faça uma camada de mais ou menos 10 cm de espessura. Nos supermercados e em floriculturas encontramos um produto genericamente chamado de húmus de minhoca. Um bom húmus sempre tem alguns ovos e filhotes de minhoca que sobrevivem ao peneiramento e à embalagem.
3.Escolha no seu lixo orgânico algumas porções de cascas de frutas ou folhas de verduras, não muito.
4.Enterre este material no composto. Isto vai servir para avaliar a quantidade de minhocas que existe neste material, já que elas serão atraídas pela comida (lixo orgânico).
5.Cubra tudo com mais uma camada de jornal úmido. O jornal tem que estar sempre úmido, caso contrario roubará água do material que esta sendo compostado e este não ficará pronto em poucas semanas.
6.Providencie uma tampa para o seu composto. Isto evitará a proliferação de moscas e baratas além de servir de barreira para um eventual rato.
7.Agora uma parte bem importante! Observe por alguns dias quanto tempo as pequenas minhocas levam para comer uma determinada quantidade de lixo orgânico. Esta é a capacidade de reciclagem da sua composteira. À medida que as minhocas vão crescendo e se reproduzindo o consumo de resíduo orgânico vai aumentando. Uma minhoca vermelha do composto (Eisenia foetida) pode comer o próprio peso em um único dia, além disso com apenas três meses elas já estarão se reproduzindo, podendo depositar um casulo a cada semana. Cada casulo desses pode gerar de quatro a doze pequenas minhocas que já nascem prontas para comer muito pelo resto da vida. Uma composteira doméstica pode ser considerada eficiente quando os resíduos orgânicos somem totalmente em menos de duas semanas.
Outra técnica muito usada por jardineiros experientes para avaliar um composto é a quantidade de ruídos que este pode produzir. Difícil de acreditar? Então experimente, quando seu composto estiver produzindo um pequeno ruído que lembra um líquido escorrendo é sinal de que as minhocas estão trabalhando a todo vapor. Daí para a frente é um processo contínuo e crescente.
O que fazer quando a composteira está cheia
O que acontece com as composteiras domésticas é que elas sempre têm uma quantidade de material pronto, uma parcela de material em processo de decomposição e uma porção diária de lixo orgânico ainda fresco. Isto dificulta bastante a coleta do material que já está pronto para o uso. Para este problema temos uma solução. Veja a seguir:
Onde colocar a composteira
O que pode ser compostado e como usar o composto gerado
Após o composto estar pronto você pode usá-lo em suas flores, folhagens, hortaliças e temperos. Aplique de acordo com a necessidade de cada espécie de planta. Samambaias em geral e folhagens tropicais gostam de doses bem fartas de composto, algo em torno de um quarto do volume do vaso ou da floreira. Devemos repor um pouco de composto na superfície a cada estação, e depois de um ou dois anos é melhor refazer tudo (esta recomendação não vale para todas as plantas). Em gramados podemos usar até cinco quilos por metro quadrado no final do inverno e nas violetas no início de cada estação devemos aplicar na superfície da terra uma colher de sopa bem cheia de composto, misturada com uma colher de cafezinho, de farinha de osso (faça a sua com cascas de ovo ou compre uma de boa qualidade). Vale lembrar que plantas aromáticas gostam de solos bem drenados e com pouco composto (use a farinha de osso nestas plantas também).
Um engradado de pvc é capaz de compostar o resíduo orgânico gerado por até três pessoas. Para uma família maior é só aumentar o número de caixas. É preferível fazer duas pilhas de engradados do que empilhar muitos. Se a família dispõe de um pátio com terra poderá optar por um modelo mais convencional de composteira feita de tijolos ou madeira. Tijolos bem empilhados podem gerar uma ótima composteira mas por segurança podemos uní-los com cimento ou barro bem amassado. Composteiras de quintal devem ser feitas uma ao lado da outra formando compartimentos que vão sendo preenchidos com resíduos orgânicos um de cada vez. Assim, as minhocas vão reciclando o material a cada compartimento preenchido, seguindo o mesmo procedimento anterior.
*Baseado “Como compostar o lixo orgânico, mesmo em pequenos apartamentos“, artigo de Alexandre de Freitas, Fundação Gaia – Brasil - www.fgaia.org.br
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04 set |
A Política Nacional de Resíduos Sólidos |
Este post foi especialmente escrito pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU/MMA) para informar sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a PNRS. Há grande expectativa que a PNRS traga um novo momento ao tratamento de lixo no Brasil, estabelecendo a coleta seletiva como obrigatória e também a logística reversa, que divide a responsabilidade sobre o descarte de produtos e embalagens entre o consumidor, o poder público e as empresas.
Vale a pena conhecer melhor!
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A RECICLAGEM É O CAMINHO
O Brasil produz 140 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos (lixo) por dia (IBGE, 2008) e apenas 12% de todo o resíduo é reciclado (Cempre, 2008). Os lixões são o destino da maior parte dos resíduos urbanos produzidos no Brasil, devido a escassez de recursos para investimento na coleta seletiva, processamento e disposição final, resultando em graves prejuízos ao meio ambiente, à saúde e à qualidade de vida da população.
A situação atual exige soluções para a destinação final do resíduo (qualquer material que sobra após uma ação ou processo produtivo) no sentido de diminuir o seu volume, ou seja, é preciso ter menos lixo e só enviar para os aterros os rejeitos (lixo – qualquer material considerado inútil). E como fazer isso?
Um bom começo é seguir a regras dos 3 Rs – reduzir, reutilizar e reciclar. Preferencialmente, nessa ordem, pois não adianta reaproveitar o lixo se o nível de produção continua alto. Sendo assim, reduzir a geração de resíduos urbanos já é um bom começo, pois implica, necessariamente, uma redução no nível de consumo.
Além de diminuir a quantidade de lixo também é importante reciclar. É preciso ter em mente que para produzir todo e qualquer produto há um determinado gasto de energia. Quando os resíduos não são reaproveitados, a energia é desperdiçada. Portanto, transformar o lixo em algo novamente utilizável é, sem dúvida, mais vantajoso do que procurar produtos que necessitem de novos recursos e mais energia retirada da natureza. Assim, a reciclagem implica numa redução significativa dos níveis de poluição ambiental e do desperdício de recursos naturais, através da economia de energia e matérias-primas.
COLETA SELETIVA PRA QUE?
A maioria das pessoas não consegue reaproveitar todo o lixo gerado, mas é importante que haja o cuidado de repassar esse lixo a quem possa fazer uso dele, por meio da Coleta Seletiva na sua região.
A Coleta seletiva de lixo é um processo que consiste na separação e recolhimento dos resíduos descartados por empresas e pessoas. Desta forma, os materiais que podem ser reciclados são separados do lixo orgânico (restos de carne, frutas, verduras e outros alimentos), que são descartados em aterros sanitários ou usados para a fabricação de adubos orgânicos. Em alguns casos basta separar os recicláveis dos não-recicláveis e o lixo é levado para centrais de triagem, local onde é feita a separação dos materiais (papel, plástico, alumínio etc).
Outra opção são as cooperativas de reciclagem. Caso haja uma perto da sua casa, verifique o seu sistema de funcionamento, pois algumas trabalham apenas com um tipo de material. É aconselhável higienizar o lixo antes de ser enviado para as cooperativas, a fim de garantir um ambiente mais saudável, livre de insetos e de mau-cheiro. Essa limpeza pode inclusive ser feita com água de reuso. Caso seja possível, junte as famílias do seu condomínio, da sua rua ou do seu bairro porque uma ação conjunta consegue resultados melhores e mais rápidos.
Um outro benefício da reciclagem é a quantidade de empregos que ela tem gerado, pois muitos desempregados estão buscando trabalho neste setor e conseguindo renda para manterem suas famílias, além de contribuir para a diminuição significativa da poluição do solo, da água e do ar.

POR UMA POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS
A coleta, destino final e tratamento de resíduos ainda ressentem-se da falta de uma legislação ambiental abrangente que as discipline. Este é, sem dúvida, um dos motivos que transformaram o lixo em um dos grandes problemas ambientais das grandes cidades e dos municípios brasileiros. E, por isso também, há uma grande expectativa em relação ao Projeto de Lei nº 1991/07, que institui a Política Nacional de Resíduos, apresentado pelo Executivo e em tramitação no Congresso Nacional.
O texto do PL estabelece diretrizes para reduzir a geração de lixo e combater a poluição e o desperdício de materiais descartados pelo comércio, pelas residências, pelas indústrias, por empresas e hospitais. Harmoniza-se ainda com a Lei Nacional de Saneamento Básico (Lei nº 11.445/07) e com a Lei de Consórcios (Lei nº 11.107/05), e seu Decreto regulamentador (Decreto nº. 6.017/2007). De igual modo está inter-relacionado com as Políticas Nacionais de Meio Ambiente, de Educação Ambiental, de Recursos Hídricos, de Saúde, Urbana, Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior, e as que promovam a inclusão social.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos trata da Logística Reversa, um “instrumento de desenvolvimento econômico e social, caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios, destinados a facilitar a coleta e o retorno dos resíduos sólidos aos seus geradores para que sejam tratados ou reaproveitados em novos produtos, na forma de novos insumos, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, visando a não geração de rejeitos. Ou seja, é o retorno dos resíduos (agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, sacolas plásticas e etc) pós-venda e pós-consumo.
O projeto se refere a tudo o que deixamos de usar e jogamos fora: lixo doméstico, industrial, entulho de construção civil, produtos industrializados como baterias, óleos, computadores e celulares. Pretende criar um sistema de gestão e distribuição de responsabilidades para que esses materiais não sejam descartados de maneira poluidora, passem por processos de reciclagem e, na medida do possível, sejam reaproveitados.
O compartilhamento de responsabilidades e do estímulo econômico para atividades de reciclagem e destinação apropriada dos resíduos é tratado em toda a proposta. A Política institui o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, abrangendo fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.
Significa dizer que todos nós somos responsáveis pelos resíduos sólidos que geramos. Portanto, os geradores de resíduos sólidos são as pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, que geram resíduos sólidos por meio de seus produtos e atividades, inclusive consumo, bem como as que desenvolvem ações que envolvam o manejo e o fluxo de resíduos sólidos. Outro mecanismo importante da nova legislação é a análise do ciclo de vida do produto, desde a coleta de matéria-prima até o resíduo final, pensando todo o processo.
A aprovação da Lei trará impactos positivos ao meio ambiente com incentivos à redução da geração, à reutilização e à reciclagem de resíduos, como também nos aspectos sociais e econômicos porque haverá uma diminuição do consumo dos recursos naturais, proporcionará a abertura de novos mercados e a produção de práticas sustentáveis. Ainda gerará trabalho, emprego e renda, e conduzirá à inclusão social de catadores de materiais recicláveis, assim como minimizará os impactos ambientais provocados pela disposição inadequada dos rejeitos. Dessa forma, possibilitará a inserção de diretrizes do desenvolvimento socioambiental sustentável na gestão de resíduo sólidos do país.
Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano
Ministério do Meio Ambiente