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21 set |
Era dos Polímeros Biodegradáveis |
Este é mais um post especial, escrito pelo Prof. Guilhermino Fechine, da Universidade Mackenzie.
Neste texto, o prof. Fechine nos explica que os polímeros biodegradáveis – plásticos são polímeros – não são a solução única para o impacto ambiental dos plásticos, e que tudo depende da aplicação: produtos descartáveis e biodegradáveis são interessantes, mas o plástico convencional é mais indicado para produtos que precisam durar. No final das contas, tudo gira em torno do consumo consciente e da correta destinação dos resíduos.
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A todo o momento, a comunidade mundial é vista diante discussões sobre o uso de polímeros biodegradáveis (PB’s) a fim de esclarecer se esses são a solução para diminuição da poluição ambiental e escassez de fonte de matéria-prima não-renováveis. Do ponto de vista sobre a escassez de matéria-prima não-renovável (petróleo), sabe-se que a produção de plásticos no mundo consome apenas cerca de 4% do petróleo. Desta forma, a contínua produção de polímeros a partir do petróleo não será o principal vilão do esgotamento dessa matéria-prima, como normalmente, as pessoas acreditam que seja. Contudo, este fato não justifica que esses polímeros sejam subaproveitados com apenas uma única utilização desperdiçando a energia contida em todo seu processo de obtenção e processamento. A melhor saída para esses casos é que esses materiais sejam reciclados, retornando a comunidade na forma de produtos ou de energia.
No caso dos polímeros biodegradáveis (PB), incluindo os obtidos a partir de fontes renováveis ou não, primeiramente há a necessidade de avaliar o tipo de aplicação que se pretende atender. Sacolas plásticas, materiais para sutura médica, filmes para recobrimento de plantações e materiais descartáveis no geral são casos em que se prevê situações concretas para utilização de PB’s, principalmente aqueles obtidos por fontes renováveis. Porém, sabe-se que o processo de biodegradação depende de vários fatores, e que este só ocorrerá em situações bem específicas. Ou seja, o crescimento da produção de PB’s terá que ser acompanhada com o aumento da infraestrutura de coleta e descarte de resíduos sólidos, senão muitos dos PB’s descartados nunca irão se decompor, nem voltar ao ciclo de “carbono”, tornando-se vilões idênticos aos polímeros convencionais no que diz respeito à poluição ambiental e volume em aterros sanitários. Este é um fato bastante preocupante, porque a grande maioria das cidades brasileiras não possui um sistema efetivo de gerenciamento de resíduos sólidos, nem se tem à disposição um grande número de usinas de compostagem.
Num momento não muito distante, poderá ser mencionado que o mundo no final do século 20 começou a ser invadido pela a Era dos Polímeros Biodegradáveis, inicialmente devido ao apelo ambiental e posteriormente pelo desenvolvimento tecnológico na área de síntese e processamento desse tipo de polímeros. A população em geral, a comunidade acadêmica e as indústrias terão que se adaptar e conviver com os plásticos biodegradáveis, além de rever os conceitos relativos a eles, por que num futuro muito próximo a presença destes poderá ser não só uma saída para a diminuição do acúmulo de material plástico em lixões, mas também uma alternativa de substituição dos plásticos não-biodegradáveis obtidos por fontes não-renováveis.
Professor Guilhermino Fechine
Universidade Mackenzie
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15 set |
Compostagem e composteiras |
Uma das formas de reduzir a necessidade de usar sacolas plásticas como sacos de lixo é reduzir a quantidade de lixo que produzimos. E uma das formas de fazer isso é a compostagem dos resíduos orgânicos. Não é tão difícil ou fedido quanto parece – aprenda a fazer uma composteira em casa e reduza seu volume de lixo!
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Desde que o mundo é mundo, a natureza vem naturalmente reciclando os seus materiais e os reaproveitando das mais diversas maneiras, afinal, como disse Lavoiser em meados de 1760: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Gaia, a Mãe–natureza, reaproveita todo e qualquer resíduo seja ele de fonte animal ou vegetal, como uma fonte de nutrientes que vão realimentando e mantendo todo o ecossistema em seu perfeito funcionamento.
E é nesse espirito que o homem resolveu sintetizar esse sistema perfeito do mundo natural, e vem fazendo sua própria reciclagem de material de fonte biológica, a compostagem.
Há mais de dois mil anos, os chineses vêm usando a compostatem para evitar a contaminação das vilas e de sua água; a maioria dos fazendeiros transformam os resíduos de suas plantações (como resto de espigas de milhos ou folhas de bananeira) em adubo orgânico, reintroduzindo esses resíduos no sistema, evitando o consumo de agrotóxicos de origem fóssil e reduzindo o volume de resíduos que produzem.
Quando tentamos fazer a transição desta velha atividade rural para o meio urbano, esbarramos em idéias do tipo: “Eu não tenho espaço” ou “minha casa vai ficar fedendo”, ou ainda “não posso perder meu tempo amassando e mexendo lixo…”. Então vejamos, na prática, como funciona uma composteira e seus processos.
A compostagem, por definição, é o processo de tratamento dos resíduos orgânicos, sendo transformados pela ação de microrganismos presentes nos próprios materiais, gerando como produto final um composto estável que é utilizado na preparação do húmus.
Para alimentar as composteiras, podemos colocar estercos de animais ; qualquer tipo de plantas, grama cortada, ervas, cascas de frutas, folhas secas, palhas ; qualquer substância de origem animal e vegetal (restos de comidas, cascas de ovo… ). Quanto mais fragmentados os materiais, maior é a eficiência da composteira, devido ao aumento da superfície de contato onde as bactérias estarão atuando. Não é bom, no entanto, incluir restos de carne, pois seu processo de decomposição provoca mau cheiro.
As composteiras ajudam a diminuir o volume de lixo que será enviado aos aterros e lixões, que sem tratamento adequado, iriam contaminar o solo e os lençóis freáticos, atingindo poços para o consumo humano e animal. Compostando seus resíduos orgânicos, você estará gerando um ótimo adubo, sendo melhor que os adubos químicos, já que não poluem e agridem o meio ambiente. Este produto final, poderá ser usado para alimentar sua jardineira, jardins, mini-hortas… Existem casos de condôminos que obtiveram descontos em suas taxas de condomínio, pois doavam o adubo produzido em suas composteiras para serem usados na manutenção de jardins.
Segue abaixo um modelo de composteira feita de PVC (lembra das caixas plásticas usadas em supermercados para o transporte das compras?) que ocupam espaços mínimos, sugerido por Alexandre de Freitas, da Fundação Gaia:
1.Forre por dentro um engradado de pvc com uma camada espessa de jornal bem úmido, mais ou menos 6 ou 8 folhas. Depois de acomodar estas folhas de jornal faça furos no fundo.
2.Preencha o fundo deste engradado com composto já pronto e com minhocas. Faça uma camada de mais ou menos 10 cm de espessura. Nos supermercados e em floriculturas encontramos um produto genericamente chamado de húmus de minhoca. Um bom húmus sempre tem alguns ovos e filhotes de minhoca que sobrevivem ao peneiramento e à embalagem.
3.Escolha no seu lixo orgânico algumas porções de cascas de frutas ou folhas de verduras, não muito.
4.Enterre este material no composto. Isto vai servir para avaliar a quantidade de minhocas que existe neste material, já que elas serão atraídas pela comida (lixo orgânico).
5.Cubra tudo com mais uma camada de jornal úmido. O jornal tem que estar sempre úmido, caso contrario roubará água do material que esta sendo compostado e este não ficará pronto em poucas semanas.
6.Providencie uma tampa para o seu composto. Isto evitará a proliferação de moscas e baratas além de servir de barreira para um eventual rato.
7.Agora uma parte bem importante! Observe por alguns dias quanto tempo as pequenas minhocas levam para comer uma determinada quantidade de lixo orgânico. Esta é a capacidade de reciclagem da sua composteira. À medida que as minhocas vão crescendo e se reproduzindo o consumo de resíduo orgânico vai aumentando. Uma minhoca vermelha do composto (Eisenia foetida) pode comer o próprio peso em um único dia, além disso com apenas três meses elas já estarão se reproduzindo, podendo depositar um casulo a cada semana. Cada casulo desses pode gerar de quatro a doze pequenas minhocas que já nascem prontas para comer muito pelo resto da vida. Uma composteira doméstica pode ser considerada eficiente quando os resíduos orgânicos somem totalmente em menos de duas semanas.
Outra técnica muito usada por jardineiros experientes para avaliar um composto é a quantidade de ruídos que este pode produzir. Difícil de acreditar? Então experimente, quando seu composto estiver produzindo um pequeno ruído que lembra um líquido escorrendo é sinal de que as minhocas estão trabalhando a todo vapor. Daí para a frente é um processo contínuo e crescente.
O que fazer quando a composteira está cheia
O que acontece com as composteiras domésticas é que elas sempre têm uma quantidade de material pronto, uma parcela de material em processo de decomposição e uma porção diária de lixo orgânico ainda fresco. Isto dificulta bastante a coleta do material que já está pronto para o uso. Para este problema temos uma solução. Veja a seguir:
Onde colocar a composteira
O que pode ser compostado e como usar o composto gerado
Após o composto estar pronto você pode usá-lo em suas flores, folhagens, hortaliças e temperos. Aplique de acordo com a necessidade de cada espécie de planta. Samambaias em geral e folhagens tropicais gostam de doses bem fartas de composto, algo em torno de um quarto do volume do vaso ou da floreira. Devemos repor um pouco de composto na superfície a cada estação, e depois de um ou dois anos é melhor refazer tudo (esta recomendação não vale para todas as plantas). Em gramados podemos usar até cinco quilos por metro quadrado no final do inverno e nas violetas no início de cada estação devemos aplicar na superfície da terra uma colher de sopa bem cheia de composto, misturada com uma colher de cafezinho, de farinha de osso (faça a sua com cascas de ovo ou compre uma de boa qualidade). Vale lembrar que plantas aromáticas gostam de solos bem drenados e com pouco composto (use a farinha de osso nestas plantas também).
Um engradado de pvc é capaz de compostar o resíduo orgânico gerado por até três pessoas. Para uma família maior é só aumentar o número de caixas. É preferível fazer duas pilhas de engradados do que empilhar muitos. Se a família dispõe de um pátio com terra poderá optar por um modelo mais convencional de composteira feita de tijolos ou madeira. Tijolos bem empilhados podem gerar uma ótima composteira mas por segurança podemos uní-los com cimento ou barro bem amassado. Composteiras de quintal devem ser feitas uma ao lado da outra formando compartimentos que vão sendo preenchidos com resíduos orgânicos um de cada vez. Assim, as minhocas vão reciclando o material a cada compartimento preenchido, seguindo o mesmo procedimento anterior.
*Baseado “Como compostar o lixo orgânico, mesmo em pequenos apartamentos“, artigo de Alexandre de Freitas, Fundação Gaia – Brasil - www.fgaia.org.br
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04 set |
A Política Nacional de Resíduos Sólidos |
Este post foi especialmente escrito pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU/MMA) para informar sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a PNRS. Há grande expectativa que a PNRS traga um novo momento ao tratamento de lixo no Brasil, estabelecendo a coleta seletiva como obrigatória e também a logística reversa, que divide a responsabilidade sobre o descarte de produtos e embalagens entre o consumidor, o poder público e as empresas.
Vale a pena conhecer melhor!
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A RECICLAGEM É O CAMINHO
O Brasil produz 140 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos (lixo) por dia (IBGE, 2008) e apenas 12% de todo o resíduo é reciclado (Cempre, 2008). Os lixões são o destino da maior parte dos resíduos urbanos produzidos no Brasil, devido a escassez de recursos para investimento na coleta seletiva, processamento e disposição final, resultando em graves prejuízos ao meio ambiente, à saúde e à qualidade de vida da população.
A situação atual exige soluções para a destinação final do resíduo (qualquer material que sobra após uma ação ou processo produtivo) no sentido de diminuir o seu volume, ou seja, é preciso ter menos lixo e só enviar para os aterros os rejeitos (lixo – qualquer material considerado inútil). E como fazer isso?
Um bom começo é seguir a regras dos 3 Rs – reduzir, reutilizar e reciclar. Preferencialmente, nessa ordem, pois não adianta reaproveitar o lixo se o nível de produção continua alto. Sendo assim, reduzir a geração de resíduos urbanos já é um bom começo, pois implica, necessariamente, uma redução no nível de consumo.
Além de diminuir a quantidade de lixo também é importante reciclar. É preciso ter em mente que para produzir todo e qualquer produto há um determinado gasto de energia. Quando os resíduos não são reaproveitados, a energia é desperdiçada. Portanto, transformar o lixo em algo novamente utilizável é, sem dúvida, mais vantajoso do que procurar produtos que necessitem de novos recursos e mais energia retirada da natureza. Assim, a reciclagem implica numa redução significativa dos níveis de poluição ambiental e do desperdício de recursos naturais, através da economia de energia e matérias-primas.
COLETA SELETIVA PRA QUE?
A maioria das pessoas não consegue reaproveitar todo o lixo gerado, mas é importante que haja o cuidado de repassar esse lixo a quem possa fazer uso dele, por meio da Coleta Seletiva na sua região.
A Coleta seletiva de lixo é um processo que consiste na separação e recolhimento dos resíduos descartados por empresas e pessoas. Desta forma, os materiais que podem ser reciclados são separados do lixo orgânico (restos de carne, frutas, verduras e outros alimentos), que são descartados em aterros sanitários ou usados para a fabricação de adubos orgânicos. Em alguns casos basta separar os recicláveis dos não-recicláveis e o lixo é levado para centrais de triagem, local onde é feita a separação dos materiais (papel, plástico, alumínio etc).
Outra opção são as cooperativas de reciclagem. Caso haja uma perto da sua casa, verifique o seu sistema de funcionamento, pois algumas trabalham apenas com um tipo de material. É aconselhável higienizar o lixo antes de ser enviado para as cooperativas, a fim de garantir um ambiente mais saudável, livre de insetos e de mau-cheiro. Essa limpeza pode inclusive ser feita com água de reuso. Caso seja possível, junte as famílias do seu condomínio, da sua rua ou do seu bairro porque uma ação conjunta consegue resultados melhores e mais rápidos.
Um outro benefício da reciclagem é a quantidade de empregos que ela tem gerado, pois muitos desempregados estão buscando trabalho neste setor e conseguindo renda para manterem suas famílias, além de contribuir para a diminuição significativa da poluição do solo, da água e do ar.

POR UMA POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS
A coleta, destino final e tratamento de resíduos ainda ressentem-se da falta de uma legislação ambiental abrangente que as discipline. Este é, sem dúvida, um dos motivos que transformaram o lixo em um dos grandes problemas ambientais das grandes cidades e dos municípios brasileiros. E, por isso também, há uma grande expectativa em relação ao Projeto de Lei nº 1991/07, que institui a Política Nacional de Resíduos, apresentado pelo Executivo e em tramitação no Congresso Nacional.
O texto do PL estabelece diretrizes para reduzir a geração de lixo e combater a poluição e o desperdício de materiais descartados pelo comércio, pelas residências, pelas indústrias, por empresas e hospitais. Harmoniza-se ainda com a Lei Nacional de Saneamento Básico (Lei nº 11.445/07) e com a Lei de Consórcios (Lei nº 11.107/05), e seu Decreto regulamentador (Decreto nº. 6.017/2007). De igual modo está inter-relacionado com as Políticas Nacionais de Meio Ambiente, de Educação Ambiental, de Recursos Hídricos, de Saúde, Urbana, Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior, e as que promovam a inclusão social.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos trata da Logística Reversa, um “instrumento de desenvolvimento econômico e social, caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios, destinados a facilitar a coleta e o retorno dos resíduos sólidos aos seus geradores para que sejam tratados ou reaproveitados em novos produtos, na forma de novos insumos, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, visando a não geração de rejeitos. Ou seja, é o retorno dos resíduos (agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, sacolas plásticas e etc) pós-venda e pós-consumo.
O projeto se refere a tudo o que deixamos de usar e jogamos fora: lixo doméstico, industrial, entulho de construção civil, produtos industrializados como baterias, óleos, computadores e celulares. Pretende criar um sistema de gestão e distribuição de responsabilidades para que esses materiais não sejam descartados de maneira poluidora, passem por processos de reciclagem e, na medida do possível, sejam reaproveitados.
O compartilhamento de responsabilidades e do estímulo econômico para atividades de reciclagem e destinação apropriada dos resíduos é tratado em toda a proposta. A Política institui o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, abrangendo fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.
Significa dizer que todos nós somos responsáveis pelos resíduos sólidos que geramos. Portanto, os geradores de resíduos sólidos são as pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, que geram resíduos sólidos por meio de seus produtos e atividades, inclusive consumo, bem como as que desenvolvem ações que envolvam o manejo e o fluxo de resíduos sólidos. Outro mecanismo importante da nova legislação é a análise do ciclo de vida do produto, desde a coleta de matéria-prima até o resíduo final, pensando todo o processo.
A aprovação da Lei trará impactos positivos ao meio ambiente com incentivos à redução da geração, à reutilização e à reciclagem de resíduos, como também nos aspectos sociais e econômicos porque haverá uma diminuição do consumo dos recursos naturais, proporcionará a abertura de novos mercados e a produção de práticas sustentáveis. Ainda gerará trabalho, emprego e renda, e conduzirá à inclusão social de catadores de materiais recicláveis, assim como minimizará os impactos ambientais provocados pela disposição inadequada dos rejeitos. Dessa forma, possibilitará a inserção de diretrizes do desenvolvimento socioambiental sustentável na gestão de resíduo sólidos do país.
Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano
Ministério do Meio Ambiente
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02 set |
Saco é um saco pras tartarugas marinhas |
Procurando novas informações sobre os impactos das sacolas plásticas, me deparei com uma pequena nota em um dos blogs que visitei. Essa notinha, tão pequena que chega a menosprezar sua tamanha importância, falava sobre o perigo que as sacolas plásticas representam para as tartarugas marinhas.
Fui procurar mais sobre esse assunto e encontrei duas fotos que me deixaram perplexo: um filhote de tartaruga com um pedaço de sacola saindo da boca e a segunda registrava a autópsia de uma tartaruga, revelando um estômago cheio de restos de plástico.

A tartaruga que mais sofre com as sacolas plásticas é a tartaruga-de-couro (Dermochelys Coriacea), que está presente desde a Nova Guiné até a Flórida, passando inclusive pelo Brasil. Este “pequeno” réptil (que pode chegar a pesar 900 Kg e medir 2 m) trata o oceano como se fosse uma “poça d’água” ao invés de uma grande imensidão azul.
Algumas tartarugas marinhas se mantêm leais às suas praias de desova e certos locais de alimentação, o que as tornam mais vulneráveis a possíveis stresses antrópicos. Já a tartaruga-de-couro escolhe locais onde não exista uma presença forte do homem para desovar e com abundância de águas-vivas, o que, a princípio, as tornaria menos vulneráveis… Infelizmente, segundo a International Union for the Conservation of Nature, a tartaruga-de-couro está entre as espécies mais ameaçadas de extinção.
Está no fato de comer as águas vivas o grande problema: as tartarugas confundem sacolas plásticas com águas-vivas, ingerindo o plástico – segundo o Projeto TAMAR, as bichinhas nem hesitam, abocanham mesmo as sacolas que lhes aparecem pela frente! Dados monstruosos nos mostram que 1 em cada 3 tartarugas já ingeriram plástico em algum momento de suas vidas e apresentam restos do material em seu sistema digestivo. Levando em conta que em uma hora a tartaruga-de-couro chega a comer 21 águas-vivas, imagina o que ela deve ingerir de plástico em uma vida toda??
As sacolas plásticas matam as tartarugas, diretamente, de duas maneiras: por asfixia ou ingestão – apenas 3g já são suficientes para obstruir o trato digestivo de um animal em idade mediana. Já indiretamente, as sacolas plásticas vão ocupando o sistema digestivo do animal e diminuindo a superfície de contato, o que implica em uma baixa absorção de nutrientes. Com essa má nutrição, temos uma baixa taxa de crescimento, enfraquecimento, tornando os bichinhos debilitados e propensos a ingerir mais sacolas, já que não conseguem perseguir suas presas e por haver sacolas em grande disponibilidade nos oceanos.
As tartarugas habitam o nosso planeta desde a Era Jurássica e agora seu futuro está ameaçado em virtude de nossos hábitos consumistas, sem a clareza sobre o impacto de nossas ações no meio ambiente que nos circunda. Pesquisadores fazem uma analogia das sacolas plásticas como sendo o fast food das tartarugas: uma fonte rápida de alimento, que não faz muito bem, que as deixa com sobrepeso e atrapalha seu desenvolvimento.
Não possuímos dados suficientes sobre a poluição das sacolas plásticas na costa Brasileira, mas sabemos que toda a fauna e flora aquática vêm sendo afetadas. Ações de educação ambiental para a população são fundamentais, para difundir a percepção de que nossas ações de consumo não ficam restritas apenas ao dia a dia, mas têm grande impacto posterior no meio ambiente, em especial, nos oceanos. Caso não consigamos educar os seres humanos, talvez possamos tentar adestrar toda a biota marinha para deixar de comer plástico…
Bruno Macedo
Equipe de Consumo Sustentável do MMA.